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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

A linha


Em virtudes demasiadas criei a ilusão do que sempre quis
Inocente, bobo, até que a criação deu-se por desfeita
Agitar-me-hei agora que vi a luz perpetrar as grossas paredes da caverna platônica?
Face à face com a realidade, acomodado com a ilusão, o que surgirá desta antagônica relação?
Situo-me no colapso de tudo que acordei, devo eu ater-me às migalhas do rotineiro?
Removeram-me o chão, o céu, os ventos e as águas, não há nada, exceto eu, estranho será a falta do que me foi retirado ou a liberdade que me foi concedida?
Dê-me a linha, para que eu possa pisar, limitar-me, viver feliz.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Locomotor.

Sinceramente, parece-me que perdi o esqueleto da vida, paro, no momento em que todos urgem em se movimentar ainda mais rápido, observo, ouço e sobrevivo por mais e mais dias.

O que fazer quando as músicas já não fazem mais sentido? Quando a imagem torna-se pútrida, ou pior ainda, monótona demais? Nada pior que o tédio, praga que consegue alastrar-se, com aspecto pandêmico, pelo que prezo em vida.

Vejo que minha vida se mantém presa aos alicerces empíricos da vida social, não sei se devo agradecer-lhes; família, amigos e amores, por manter minha remanescência, ou se devo pedir - ainda mais - por mobilidade ou resolução.

Acordo após refletir tudo isso, vejo que me movo, ainda que lentamente, em direção ao escuro, faço de palavras famosas a conclusão do raciocínio que minha consciência impôs a mim : " Se seguir as pegadas de um estranho, mil surpresas encontrará. "Ah, Quem me dera o estranho não fosse eu.

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

A vida e o casamento



Viver é conhecer, comparar e escolher.conhecemos tantas coisas diferentes, comparamos com as antigas e por fim escolhemos o que for melhor ou mais proveitoso(em alguns casos, nenhum dos dois) Contudo, existe uma coisa da qual nós nunca podemos nos ver livres: nós mesmos. Acordamos todos os dias, apenas para ver nossos semblantes no espelho e seguir com nossa vida, não tem outro jeito, ou é assim, ou não vai ser nada. Por isso que o casamento e a vida são frutos de pessoas altamente capazes, acordar com o mesmo rosto todo dia, conviver com inúmeras manias, errar mais umas tantas vezes. Há quem não leve jeito pra casar, já que descobriu-se que é uma questão de inteligência, ora, meu amigo, é perfeitamente normal que para alguns não haja jeito para viver, também.

Domingo, 10 de Agosto de 2008

Eco

Desesperadamente, dia após dia, grito minha existência mundo afora.Transeuntes inebriados em recorrentes delírios, já não prestam mais atenção, vêem o que querem ver, escutam tudo que foram-lhes imposto, e no meio desse grande alarde de sons e imagens que é a vida, ecos ressonam em meio a balbúrdia.Estes ecos são as manifestações da minha existência, berrados de um lugar onde poucas pessoas já estiveram.Como os ecos que são, são reflexos de uma mensagem passada, tão dolorosamente carente de uma resposta cuja tão poucas pessoas conseguriam fornecer.Aos que não me ouviram, escute o que tenho para dizer-lhes, aos que já o fizeram, muito obrigado, é a vocês que devo tudo que sou, e que ainda vou ser.

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

All things must pass

Todas as coisas passam, disso todos nós sabemos ou ainda vamos descobrir.
Cabe a nós escolher as que vão passar e ficar no passado, e as que irão se renovar após sua passagem.

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Quem inventou a distância...

Dentre os temas modais que tanto cruzamos atualmente, amor, saudades e o maldito aquecimento global sempre voltam à tona, ou melhor, nunca somem.
Eu, como não deixo de ser parte da população humana não sou exceção de temas tão frutíferos para opiniões.
Quem nunca sofreu por saudade? Quem nunca sentiu suas entranhas revirarem ao se lembrar de momentos que nunca voltarão, experiências que você tão ingenuamente sonha em viver novamente? Pessoas importantes, fatos excitantes, lugares diferenciais escolha uma coisa boa e a distância tem a doce capacidade de levá-la embora. Juras de amor são quebradas, amizades partidas e lágrimas choradas, mas fato intrigante, é que isso tudo acontece de uma forma tão espontânea que não há como se revoltar contra o esquecimento que a distância traz, todavia, vale à pena ressaltar que relacionamentos realmente integros geram laços veementes, estes, distância nenhuma ou qualquer outro obstáculo pode apagar ou sobrepujar. "Mas tanta coisa acaba, era comprovado, eu realmente amava, eu realmente queria bem", fato é, meus caros, quantas vezes em nossas vidas já nos enganamos? Pessoas idôneas revelaram-se inescrupulosas,os bons viraram maus e assim por diante. Acontece que, tudo que é verdadeiro está fora de moda, por isso é mais difícil de ser encontrado, mas ah, definitivamente existe, nunca deixe de procurar. Como eu sei que existe? Bem, fui apenas mais um dos sofredores que toparam com este paradoxal sentimento, de alguns dos casos que me ocorreram, lembro-me que esqueci e hoje até passei a rir quando lembro, de outros, bem, estão guardados onde distância nenhuma pode tirar.

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Livrai-nos da dor, eterniza nossa imagem.



Morte, tão temida! Chega a impressionar, não? Uma coisa que convivemos durante tanto tempo, precisamente desde o início da vida, ser tão assustadora, mas esse medo é proveniente de que?
Uma fuga, para o desconhecido, a obliteração total da vida como a conhecemos, isso me parece tão intrigante!
Muito há para se fazer em vida, respeitar, amar, constituir família, construir uma boa imagem, reputação, sucesso, fama... Mas o que há para se fazer em morte? Simplesmente (pelo menos com o nosso atual conhecimento) fugir, tornar-se um imortal, livre dos pecados efêmeros que cometemos em vida.
Pessoas realmente más (na concepção majoritária do mal, isto é) após a morte são descobertas como até bondosas, veja você!
O que me parece surpreendente é que uma coisa inevitável como esta, escapa ao pensamento de todos nós, ora, não ficamos tristes ao saber que um bom momento tem que acabar? Então por que diabos não tratamos de esquecer futilidades diárias e conflitos desgastantes e tratamos de aproveitar a vida como uma ótima e passageira época, que um dia terá de acabar, mas que ao analisá-la você poderá pensar "poxa, esse, valeu a pena".