Claro e tenro é o sorriso materno.
O brilho em cada criação, a vistosa aparência do que é belo me mostram que a Terra, gire o quanto puder, não impedirá a alvorada.
O resplandecer virá no gesto amigo, no abraço fraterno ou no beijo do amante.
Em toda expressão um recado: o subentendido é, de certo, a linguagem conhecida e negligenciada por todos.
Nunca esperei que fosse tão claro.
O amor habita todas as coisas
Abra os olhos
Veja.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Mandamento
Pensa e sabe;
age e logo vê.
Manda a mente: Mandamento.
Desobedecer é, de certo, o próximo passo;
Natureza humana e humano sou.
Que Deus me perdoe.
Natureza humana e humano sou.
Que Deus me perdoe.
sábado, 18 de outubro de 2014
Duas
Duas da manhã.
Mais uma vez.
Duas da manhã.
Ela chegara e se juntara a mim. Novamente eu dividiria a minha cama.
Como não notá-la quando suas mãos cerravam-se sobre meu pescoço?
Abri os olhos para encará-la, nunca fugi realmente do seu olhar, e no profundo abismo de suas expressões encontrei o amor.
Com a força que me restava indaguei: ''O que acontece se acaricio as mãos que me roubam a vida?''
Não havia resposta. Nunca há resposta para o desarmar do amar, é sabido.
E ela sabia.
Duas da manhã.
Deus, quantas duas devo suportar?
Não existem mãos que me roubem a vida hoje, mas ela está comigo.
Deita-se e, como de costume, não pede permissão. Sua recorrência me é completamente misteriosa, e, de novo, cá está.
Com certeza a amo. Sua precisa visita faz perceber o motivo pelo qual tanto fugi: Não tenho como olvidar alguém por quem nutri carinho tão devoto.
Seus dedos tamborilam pela minha pele mais uma vez, a maciez dos seus movimentos não negam, sei para onde se encaminham.
Como não notá-la? Como fugir dos laços em que suas mãos precisas e suaves tornavam a fazer abaixo do meu rosto?
A resposta já me é antiga companheira.
Ela não me sufoca enquanto dou-lhe as mãos.
Mais uma vez.
Duas da manhã.
Ela chegara e se juntara a mim. Novamente eu dividiria a minha cama.
Como não notá-la quando suas mãos cerravam-se sobre meu pescoço?
Abri os olhos para encará-la, nunca fugi realmente do seu olhar, e no profundo abismo de suas expressões encontrei o amor.
Com a força que me restava indaguei: ''O que acontece se acaricio as mãos que me roubam a vida?''
Não havia resposta. Nunca há resposta para o desarmar do amar, é sabido.
E ela sabia.
Duas da manhã.
Deus, quantas duas devo suportar?
Não existem mãos que me roubem a vida hoje, mas ela está comigo.
Deita-se e, como de costume, não pede permissão. Sua recorrência me é completamente misteriosa, e, de novo, cá está.
Com certeza a amo. Sua precisa visita faz perceber o motivo pelo qual tanto fugi: Não tenho como olvidar alguém por quem nutri carinho tão devoto.
Seus dedos tamborilam pela minha pele mais uma vez, a maciez dos seus movimentos não negam, sei para onde se encaminham.
Como não notá-la? Como fugir dos laços em que suas mãos precisas e suaves tornavam a fazer abaixo do meu rosto?
A resposta já me é antiga companheira.
Ela não me sufoca enquanto dou-lhe as mãos.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Trilhos
Embarco, de novo.
Maquinista desconhecido à frente,
Maquinista desconhecido à frente,
Ladeado por caminho desconhecido e já passa outra estação;
Descem amores, sorrisos, lágrimas e momentos
Segue esperança
Aprendizado
Amor
e
Descem amores, sorrisos, lágrimas e momentos
Segue esperança
Aprendizado
Amor
e
...Dor
Doravante!
Propulsiona: já ponho-me à frente de onde estive e então
Embarco, de novo.
Doravante!
Propulsiona: já ponho-me à frente de onde estive e então
Embarco, de novo.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Penumbra
Abriu os olhos, imóvel na escuridão em que se encontrava. Tentava ser um só com o silêncio, buscava conforto na ausência de tudo e todos. Gostava mais dos que já se foram, das coisas que não teve, dos que não gostava das mesmas coisas que ele.
Em meio a escuridão percebeu que um vulto agora o encarava. Viu a edificação dos seus erros se erguer e o confrontar. Tudo em que falhara era o que realmente o havia moldado. Não se sentia fraco, sentia-se grato. Seus defeitos formaram sua personalidade, que não era a melhor ou pior, mas única. Abraçou os seus fracassos e momentos depois notou que eles passaram a se esvair. Acenou com o pesar de despedir-se de um grande companheiro e concluiu que dera um passo rumo ao lugar onde deveria chegar.
Avistou um pequeno semblante encolhido, parecia soluçar e estremecer. Ao confrontá-lo descobriu seu nome: Vitória. Era uma criatura engraçada e de feições muito orgulhosas embora fosse bastante pequena. Perguntou-lhe por que parecia triste e sentiu seu corpo estremecer com a resposta:
"Onde quer que eu exista sou procurada;
"Onde quer que eu exista sou procurada;
De uns escapo, de outros sou tomada
Eventualmente me alcançam e tão tenro é o momento
Onde juntos cantamos e nos jogamos ao vento
Risos e abraços proclamam em meu nome até que percebem...
Que existem outras de mim e que rapidamente me sucedem,
Que não sou única e suficiente
Para segurar as ambições de tanta, tanta gente."
Decidiu que a levaria sobre seus ombros, suportaria o peso e as consequências dela e de quantas do seu tipo encontrasse. Reparou que agora possuía os dois pés voltados para a mesma direção, seja lá o que lhe esperasse, era para lá que iria.
Onde juntos cantamos e nos jogamos ao vento
Risos e abraços proclamam em meu nome até que percebem...
Que existem outras de mim e que rapidamente me sucedem,
Que não sou única e suficiente
Para segurar as ambições de tanta, tanta gente."
Decidiu que a levaria sobre seus ombros, suportaria o peso e as consequências dela e de quantas do seu tipo encontrasse. Reparou que agora possuía os dois pés voltados para a mesma direção, seja lá o que lhe esperasse, era para lá que iria.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
À deriva
Abrira os olhos para tomar conhecimento das nuvens que se amontoavam sobre sua cabeça, as via, mas não queria enxergar que o inverno se instalara em sua vida e não lá fora.
A estranha fluidez com que o chão se movia sob seu corpo o fazia se sentir desconfortável, percebera enfim que não havia chão, e com a realização chegara o devaneio: não haviam estações, não se tratava de invernos e verões, estava à deriva, seu mundo se resumia em água, sal e medo.
Se perguntou o que faria se não havia o que enxergar, ou ao menos para onde ir.
Decidiu afogar-se em todos os cheiros e sensações que pudesse, fechou os olhos e afundou, embora sem sucesso, o sal amargara sua boca e fazia seus olhos arderem, impunham-lhe a condição e a eterna lembrança de como e onde estava, embora não soubesse como havia parado ali.
Passaram-se horas, dias, anos talvez, quem poderia dizer? Sentia-se mais leve enquanto a água acariciava suas costas, decidiu que mesmo sem saber para onde ir, se esforçaria, iria a algum lugar, mas onde quer que chegasse, sabia, carregaria consigo para sempre as lembranças e o sal do tempo em que apenas flutuava...
A estranha fluidez com que o chão se movia sob seu corpo o fazia se sentir desconfortável, percebera enfim que não havia chão, e com a realização chegara o devaneio: não haviam estações, não se tratava de invernos e verões, estava à deriva, seu mundo se resumia em água, sal e medo.
Se perguntou o que faria se não havia o que enxergar, ou ao menos para onde ir.
Decidiu afogar-se em todos os cheiros e sensações que pudesse, fechou os olhos e afundou, embora sem sucesso, o sal amargara sua boca e fazia seus olhos arderem, impunham-lhe a condição e a eterna lembrança de como e onde estava, embora não soubesse como havia parado ali.
Passaram-se horas, dias, anos talvez, quem poderia dizer? Sentia-se mais leve enquanto a água acariciava suas costas, decidiu que mesmo sem saber para onde ir, se esforçaria, iria a algum lugar, mas onde quer que chegasse, sabia, carregaria consigo para sempre as lembranças e o sal do tempo em que apenas flutuava...
Motiva
Até que ponto ainda esperamos o vislumbre de algo que ainda não sabemos?
Perseveramos onde antes caímos e transformamos nossas fraquezas em fortalezas;
Tudo testamenta que podemos, ainda que sem querer, passar pelos desapegos e atropelos de uma vida que não cansa de desapegar e atropelar.
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