Movido pela acidez da palavra alheia ele retornara ao seu ofício, talvez o mais egoísta que pode haver.
Veja bem, cabia-lhe, por incumbência metafísica, divina ou irônica, preencher o vazio das páginas com palavras vis que traziam consolo ao desnudar a maldade que havia em cada esquina dos seus pensamentos.
Escrevia, lenta e dolorosamente, cada palavra arranhando-lhe a alma, derivando incessantemente do seu ser que diminuía conforme as linhas pretas corriam alegremente sobre o papel, via nas palavras seu refúgio, enxergava no consolo das frases que ninguém leria o jazigo da sua memória. Não precisava de estereótipos, não sentia o blues em sua alma, não precisava da última dose de Whisky, não era o último romântico, de fato, nem sabia se já havia sentido amor, sentia-se perdido e na incongruência de ser quem era sabia que era único.
"Ser único".
Meditava sobre o valor de tal afirmação, chegando a vagas conclusões que em nada lhe serviriam em vida.
Mudou.
Fez promessas aos céus e aos mortos, não seria o mesmo homem, não se deteria em complicações bobas de questões ainda mais fúteis. Cresceria, superaria o vazio que sentia através da maturidade.
-Quantos outros vivem com este buraco em meio ao peito?
Se perguntava, dia após dia, enquanto tentava sonhar até dormir, já que em seu sono não havia sonho.
Acordou, sempre acordava, odiava acordar, via que nada mudava, estava acorrentado ao mesmo lugar de sempre, cercado de possibilidades que nunca quis abraçar e de coisas que não queria fazer.
Odiava acordar, mas sempre acordava e vivia, empurrava a vida ladeira abaixo e tombava nos mais disformes encontros que a vida podia lhe proporcionar, achava graça, ria até, mas lembrava que vida levava e logo tratava de mudar.
Mudou.
Viu nos textos de um antigo amante as palavras que lhe cortaram o peito, percebeu então que nada nessa vida realmente é nosso, segurar o que puder não lhe parecia bom o suficiente, queria ter, mas não podia, ninguém pode. E então aconteceu:
Movido pela acidez da palavra alheia ele retornara ao seu ofício, talvez o mais egoísta que pode haver.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Jaboticaba
Encontrei a menina dos olhos de jaboticaba.
- sabes pra onde vais?
perguntei.
-não.
respondeu.
-aceitas perder-te comigo?
-sim.
E assim, anos depois, estavam perdidos.
E assim, anos depois, estavam perdidos.
domingo, 5 de junho de 2011
Inefável
Inefável;
Presos na trivialidade do cotidiano sempre esquecemos que as coisas que não conhecemos, são, em maioria, as mais capazes de realmente nos capturar a atenção.
Do meu desconhecimento tiro proveito para reafirmar minha humanidade;
O indescritível é, sobretudo, capacitado para nos mostrar a complexidade dos nossos sentimentos e crenças.
Viver é um ato de fé, assim como amar, entretanto cá estou; Amo e vivo.
terça-feira, 26 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Chimaera
Há dias em que nossos olhos não choram, doem, pois a nossa pele e mente, cansados de doer, se poem a chorar.
As pessoas que não conseguimos ser, sonhos que não conseguimos realizar, todos os fracassos que acumlamos inevitavelmente nos tornaram quem somos.
Todas as nossas experiências nos lapidam e provocam feridas profundas que certamente hão de nos transformar.
Ora, do carvão ao diamante.
Do erro à vitória.
As pessoas que não conseguimos ser, sonhos que não conseguimos realizar, todos os fracassos que acumlamos inevitavelmente nos tornaram quem somos.
Todas as nossas experiências nos lapidam e provocam feridas profundas que certamente hão de nos transformar.
Ora, do carvão ao diamante.
Do erro à vitória.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
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A inspiração que nos é dada, rara e sutil, ainda requer força e perseverança para deixar o mundo sentimental e figurar nossos interesses
Incompleto é o homem que apenas sente, a ação glorifica e torna real o que é puro e belo.
Ao irreal ou a ignorância estará fadado aquele que não equipara seus sonhos a sua lucidez.
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